MASSINGA, INHAMBANE — O clima de tensão e divisão interna no principal partido da oposição em Moçambique ganhou novos contornos. Durante uma conferência de imprensa realizada no distrito de Massinga, província de Inhambane, o deputado da RENAMO, António Muchanga, intensificou as suas críticas à gestão do partido e voltou a exigir publicamente a demissão do presidente da formação política, Ossufo Momade.
A declaração surge no âmbito de uma digressão que Muchanga realiza pela região sul do país, visando auscultar as bases e contestar o rumo que a atual liderança tem imprimido ao partido.
Ultimato e Recurso à Justiça
Durante o seu discurso, Muchanga acusou Ossufo Momade de ter mergulhado a RENAMO numa "paralisia total" desde 2024 e de se manter alheio e insensível às preocupações manifestadas pelos militantes de base.
Perante este cenário, o deputado lançou um ultimato à direção partidária: caso o Conselho Nacional não seja oficialmente convocado até à próxima quarta-feira, o seu grupo irá avançar com acções judiciais para compelir a liderança a realizar a reunião.
O objetivo principal, segundo o parlamentar, é fazer com que Ossufo Momade coloque o seu cargo à disposição, abrindo caminho para a eleição de uma nova liderança e para a organização de um congresso extraordinário capaz de devolver a dinâmica política ao partido.
Gestão Financeira e Denúncias de Perseguição
As críticas do deputado estenderam-se também à vertente financeira e operacional do partido:
Gestão de Fundos: Muchanga questionou abertamente o destino dos fundos recebidos pela RENAMO e rejeitou categoricamente qualquer intenção de cobrar contribuições adicionais aos membros para financiar a reunião do Conselho Nacional.
Alegada Perseguição: O político acusou a atual direção de recorrer a instituições do Estado para criar entraves às suas atividades políticas, alegando ter enfrentado tentativas de bloqueio aos encontros que tem promovido ao longo da sua digressão pelo sul do país.
Um Partido em Crise de Liderança
O choque de posições entre a ala crítica liderada por figuras como António Muchanga e a direção de Ossufo Momade evidencia a profunda crise institucional e a fragmentação que afetam a RENAMO.
Para analistas e observadores da política nacional, a falta de uma agenda política proativa tem remetido o partido a um ciclo de aparente inércia, no qual a formação política surge no debate público quase exclusivamente para expor as suas fraturas internas.
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