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Relatório do especialista da ONU alerta que a via militar não está a resolver a crise em Cabo Delgado e urge o recurso ao diálogo para travar a violência.

Publicado por Tribuna MZ 16 agosto Atualizado: 16 agosto

 


Sete anos após o início das incursões de grupos armados ligados ao Estado Islâmico, a paz continua longe de ser alcançada no norte do país. Um relatório divulgado esta sexta-feira por Ben Saul, Relator Especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para a protecção dos direitos humanos na luta contra o terrorismo, conclui que uma vitória estritamente militar em Cabo Delgado não é iminente, defendendo negociações para travar o conflito.

O documento surge após uma missão de trabalho a Moçambique, realizada entre 4 e 14 de Agosto. Na avaliação do perito, a violência intensificou-se no último ano, com o aumento da frequência, gravidade e dimensão dos ataques contra a população civil e forças de defesa, mantendo o cenário de decapitações e destruição.

Estratégia militar sob escrutínio

Apesar do apoio das forças ruandesas — destacadas na província desde 2021 — e da União Europeia, o relatório critica a actuação no terreno. Saul caracteriza a postura actual das Forças de Defesa e Segurança (FDS) e dos seus aliados como de «defesa ofensiva», em vez de uma perseguição activa e contínua aos focos rebeldes. Embora a táctica retenha as hostilidades de forma temporária, abre brechas para que os insurgentes se reorganizem e mantenham a capacidade ofensiva.

Impacto humano e económico

Com base em dados da organização ACLED citados no relatório, o balanço da crise é pesado:

  • Vítimas mortais: 6.632 mortes registadas entre 2017 e meados de 2026, das quais 2.772 eram civis.

  • Deslocados: Cerca de 1,5 milhões de pessoas forçadas a abandonar as suas zonas de origem.

  • Assistência humanitária: Estima-se que 1,7 milhões de cidadãos necessitem de apoio urgente em 2026.

Além do drama humanitário — marcado pela perda de terras, meios de subsistência e separação familiar —, o conflito continua a ameaçar investimentos cruciais na bacia do gás natural, onde operam multinacionais como a TotalEnergies, ENI e ExxonMobil.

O especialista lembra que os relatores independentes actuam sob mandato do Conselho de Direitos Humanos da ONU, pelo que as conclusões apresentadas representam avaliações técnicas e não a posição oficial do organismo internacional.

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